Nossa estou sentindo uma angústia, tão grande no coração. Umas tonteiras, sem ânimo para nada. Nem para viajar, que era algo que amava. Crise forte com minha mãe. Somos só nós em casa, hoje. Meu pai desencarnou a 2 anos e 2 meses. Ela tem 79 anos. É tudo que faço no intuito de agradar.la ela leva para o negativo. Os filhos casados e que não moram com ela. Ela dá mais atenção. Apesar que sempre foi assim. Mesmo eles solteiros. Pensei que agora que é Deus e nós duas, poderia ficarmos um pouco mais unidas. Infelizmente não. É ela é quem eu converso. Hoje converso sozinha. Ou com os animais que tenho. É dolorido. Estou tentando animar para viajar sábado. Pois, estou de férias do trabalho. Por caridade mande algo, que me dê um certo conforto, no coração. Obrigada

RESPOSTA: Em países mais desenvolvidos existe uma cultura de motivar os filhos a saírem de casa na faixa etária de 20 a 25 anos. Algo muito sadio para incentivar a formação da competência e da autonomia do filho, e para dar mais liberdade aos pais de cuidar de si mesmos com mais intensidade.

Nos países latinos, como o nosso, o sentimentalismo em assuntos de vida familiar é algo nocivo e doentio. Nossa noção de amor, quase sempre, é direcionada para essa essa postura de FAZER TUDO PARA AGRADAR. O preço que se paga por isso é a desconsideração, o desrespeito e o abuso. Uma relação de amor verdadeira não pode ser construída fazendo tudo pela pessoa amada. Isso termina em abuso.

A sua angústia, muito provavelmente, é o indício claro de que você é uma pessoa que nega muito a você própria os prazeres da vida para cuidar de alguém. A angústia é um sintoma de culpa que ficou velha, de relações abusivas que são construídas em nome do amor. Chamamos isso de amor, no entanto, tem muito pouco de amor nisso.

O que eu posso mandar a você como conforto é que você tenha a coragem de olhar por você mesma e comece logo uma terapia para descobrir suas ilusões sobre amor e relação de afeto. Você perceberá que suas expectativas com sua mãe são injustas, são fruto de um amor que é dado esperando muito em troca, é resultado de uma profunda carência pessoal. Avalie-se e pare de tentar mudar sua mãe. Ela não quer essa mudança. Você é quem tem que deixar as fichas caírem e se olhar. Saia de casa. Vá cuidar de sua existência. Faça o que puder por ela, mas distante, tendo sua vida pessoal preservada.

Eu ainda não conheço uma relação de mãe com filha que continua morando na mesma casa que tenha esses espaços e limites pessoais preservados. Pode até existir, mas te digo: tem que se ter muita maturidade emocional para que isso funcione bem.

Tenha coragem de cortar esse cordão e as coisas vão começar a mudar.

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