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Bem no início dos relacionamentos, quando a atração e o afeto indicam ao casal que as coisas vão durar mais tempo e consolidar a união, começa um processo natural de conhecimento mais profundo um do outro.

As conversas e os acontecimentos passam a serem analisadas com critério, visando a segurança e alegria da convivência. Nessa fase surgem a intuição ou feeling (sensibilidade) de ambas as partes, como uma decorrência natural daquele receio do novo ante o encontro de dois universos distintos e repletos de sonhos.

Nesse contexto, a identidade invisível um do outro começa a se revelar e expressar em forma de vibrações. Muito além de troca de informações e momentos divertidos, há também uma permuta energética. Você passa a ter sensações e pensamentos que te avisam e orientam sobre essa parte sutil um do outro.

Via de regra, não damos importância a isso, no entanto, algumas dessas sensações ou pensamentos podem persistir e aumentar, provocando efeitos indesejados, aumentando a insegurança e criando um clima de dúvida. Algumas coisas se encaixam maravilhosamente, outras, todavia, são como agulhas a espetar e causar dor já bem no início da convivência. Você tenta entender o que está acontecendo e não consegue nenhuma explicação sensata. Isso se chama incompatibilidade energética.

É quando alguém que não corresponde aos seus anseios de crescimento entra na sua vida. Alguém que não tem um perfil que se afiniza com o que você merece ou está buscando. Alguém que destoa. E, por essa razão, isso vai estimular dentro de você um campo de energia desalinhado dos seus propósitos de vida. O efeito será a instabilidade emocional e mental. Na maioria das vezes, você vai gastar elevadas doses de energia para tentar fazer esse relacionamento andar e ir para frente. Quase sempre, em vão.

Por mais afinidade física, afetiva, intelectual e social, mesmo com tantos atrativos, lá no seu ser profundo na alma, esse desconforto causado por esse campo energético está te avisando sobre a inviabilidade de uma adequação ou ajuste com essa pessoa. No entanto, por vários motivos, você insiste, se esforça, teima e tenta fazer acontecer, alimentando as expectativas de êxito e bons resultados. E nada flui, não avança.

Nenhum relacionamento é ao acaso, é fato. Mesmo com essa incompatibilidade você tem algo a aprender, há uma lição, há um teste para você. Talvez sofrendo as dores desse tipo de vivência amorosa, você enxergue melhor sua carência, sua teimosia, sua impulsividade e outras características de sua sombra interior que te fazem carregar nas costas, com um esforço sobre-humano, a pior parte desse encontro inadequado.

Não existem relacionamentos “que dão certo ou que dão errado”. Existem lições. Existem resultados. Porém, considere que esse “aviso da alma”, esse feeling em forma de desconforto, está te alertando a abrir os olhos e despir de ilusões, a fim de te poupar de muitos dissabores e dores evitáveis. Você pode fazer esse aprendizado por outros caminhos. Aprender a “ouvir” esse “aviso da alma” pode ser a maior lição de uma experiência difícil… Tentar passar por cima dessa “química energética” é uma atitude tóxica que pode abrir vivências dolorosas para você.

O amor tem que acontecer. Relacionamentos sadios brotam, crescem e são adubáveis. Forçar uma convivência com alguém que possui uma frequência que não sintoniza com a sua, é consentir que provas voluntárias e dores dispensáveis façam parte da sua vida.

Algumas pessoas tentam explicar esse fato com “dívidas do passado” que você tem que resgatar e “carma para queimar”. Uma insensatez! Eu chamaria isso de má escolha, teimosia, falta de inteligência, fanatismo e carência exacerbada que está reclamando tratamento especializado. Só mesmo quem ainda está entorpecido por profunda imaturidade emocional ou necessidades de ajuste psicológico, pode pensar nessas coisas.

Você se esforça loucamente para encaixar alguém em sua vida e encaixar você na vida dela, e depois vai reclamar, dizendo que a está amarrotada e sem sentido. Na falta de nivelamento energético, paga-se um preço muito alto para manter uma união.

Amor não pode ser forçado. A palavra mais sagrada para o futuro e o progresso de um relacionamento com amor é RECIPROCIDADE. Uma via de mão dupla. Sem reciprocidade, vai haver “forçação” de barra, manipulação, exploração e controle. Amor comprado. Amor que não é dado espontaneamente é violentar o sagrado altar do coração.

Amor é algo que surge entre afins e, convenhamos, pode até existir também entre os incompatíveis energeticamente. Porém, o relacionamento amoroso não sobrevive com incompatibilidade. É muito sofrimento que espera quem força a barra nessa direção. Amor nasce no peito e só sobrevive e faz crescer quando se tem a estrada do relacionamento para trafegar. Se a estrada é incompatível com esse trafego, cheia de buracos, armadilhas e riscos, alguém vai se acidentar nesse trajeto.

“Amar é fácil, difícil é relacionar.” (Como diz a terapeuta Bruna Salis)