RESPOSTA: vou transcrever uma conversa minha que tenho com várias pacientes sobre mãe e culpa. Espero que te auxilie. É um papo de terapeuta para um mergulho seguro na vida inconsciente.

EU: qual é a primeira culpa a respeito de sua mãe?

PACIENTE: eu não gosto dela.

EU: culpa, nesse caso, serve para rever crenças que gerenciam os seus sentimentos. Qual é a crença que você precisa rever a respeito de não gostar de sua mãe?

PACIENTE: eu aprendi que devemos tudo às mães. Que devemos gratidão, amor e tudo que pudermos dar a elas em retribuição ao que nos fizeram.

EU: essa é sua crença: VOCÊ DEVE. Você não gosta de sua mãe e sente que DEVE A ELA. Fique sabendo: nós não devemos nada a ninguém.

PACIENTE: mas aprendi que tenho que fazer algo por ela.

EU? Faça sim. Faça por amor. Não por dívida. Reveja essa crença de que deve.

PACIENTE: por onde começar para fazer algo por amor?

EU: suponha que hoje você não sentisse mais que DEVE pra sua mãe. O que você faria em relação a ela e em seu próprio bem?

PACIENTE: eu iria ficar longe dela o maior tempo que pudesse. Ela me sufoca, me faz mal.

EU: é um bom começo. Faça isso por você.

PACIENTE: mas e o que DEVO a ela, e minhas crenças como trabalhar?

EU: na medida em que aprender o que é bom para você, poderá fazer algo de muito bom para ela também. Suas crenças de hoje são crenças miseráveis sobre amor. São crenças de RETRIBUIR POR OBRIGAÇÃO. O amor passa longe disso. Deixe sua mãe viver. Ela sabe se cuidar sozinha. Não precisa de você.

PACIENTE: nossa! Essa frase me tocou: minha mãe não precisa de mim.

EU: claro que não precisa. É você quem quer cuidar dela para ter a sensação de que você é necessária e útil. Assim, supostamente, cumpre com suas DÍVIDAS ou, em outras palavras, apenas abranda sua culpa. Culpa e amor andam de mãos dadas, sabia disso?

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O papo ainda foi longe. Fica aqui apenas uma amostra. Vocês nem imaginam o quanto uma paciente quanto essa está se libertando e curando de uma terrível depressão.